
Na poesia me vaga a alma chilreante
Carregando um verbo mudo
Prostrado diante da imensidão de Deus
Num quintal escuro deslumbrante
Arraial de estrelas zombeteiras
Esperando um não-sei-quê...
Destino ou disparate
Um emaranhado de letras


Me negarias em três versos
Antes de um verbo sincero
Antes da sóbria medida
à métrica da poesia
Antes que a rima encante
No fundo da noite vazia
Um soneto cercado de espadas
Abrindo de um beijo a ferida
Então me leve à custodia da arte
E os temas inibidos apartem
No negrume da tinta noturna
Que os textos sagrados nos salvem
